sexta-feira, 3 de abril de 2026

Vestígios

 


São leves como pólen,

por vezes penumbra

onde se movem sem ruído.

 

Andam por aí, fugidias.

Quando se cruzam comigo

puxam-me uns fios do cabelo,

tocam-me, esquivas, 

sussurram-me aos ouvidos

fiapos de melodias singulares,

fragmentos de versos.

 

Se me volto, na senda do perfume violeta

que deixam no ar, esvaziam-se,

silhuetas que se dispersam.


Sopro-as por cima do ombro,

não me ralo com elas, deixo-as brincar.

São vestígios de palavras de olhar silente

entidades tímidas,  

[não borboletas ainda]

a quererem ser poema. 

 

Lídia Borges

(imagem: Pinterest)