São leves como pólen,
por vezes penumbra
onde se movem sem ruído.
Andam por aí, fugidias.
Quando se cruzam comigo
puxam-me uns fios do cabelo,
tocam-me, esquivas,
sussurram-me aos ouvidos
fiapos de melodias singulares,
fragmentos de versos.
Se me volto, na senda do perfume violeta
que deixam no ar, esvaziam-se,
silhuetas que se dispersam.
Sopro-as por cima do ombro,
não me ralo com elas, deixo-as brincar.
São vestígios de palavras de olhar silente
entidades tímidas,
[não borboletas ainda]
a quererem ser poema.
Lídia Borges
(imagem: Pinterest)
