Não quero este dia, hoje!
Que luz falaciosa é esta
a ferir-me o olhar?
Um bloco operatório,
Um rosto, ornado de tranças desfeitas
A sorrir-me acostado à loucura
Que lhe brilha nos olhos fundos.
Um sorriso lindo, de criança
Esquecida dos muitos anos vividos:
- Tenho medo…
E o beijo que me deu…
A dançar-me na pele,
A cortar-me a alma
Em pedaços,
Irremediavelmente
Que luz falaciosa é esta
a ferir-me o olhar?
Um bloco operatório,
Um rosto, ornado de tranças desfeitas
A sorrir-me acostado à loucura
Que lhe brilha nos olhos fundos.
Um sorriso lindo, de criança
Esquecida dos muitos anos vividos:
- Tenho medo…
E o beijo que me deu…
A dançar-me na pele,
A cortar-me a alma
Em pedaços,
Irremediavelmente
25 comentários:
Há poemas que entram em nós, como se fossemos os próprios a sentir.
Revi-me neste tão belo poema...
Beijo para linda seara de versos...
Muitos dias não os queremos, pelas dores que nos trazem ou pela violência da despedida com um beijo perdido na face.
A coragem desses dias anda perdida em curvas perigosas, mas há que ultrapassar e aguardar que o Sol volte a brilhar.
Chore se isso lhe ajuda a virar a página, mas terá de ultrapassar tudo que o tempo nos trás e nos leva, sem perdão nem compaixão.
Tem neste texto algo terrível, como não querer
ou querer coisa nenhuma. Não tenho chave para entrar neste labirinto: tem muitos enigmas e não hé fio nem Ariadne que me valham...
Estou, no entanto, aqui. É só seguir as migalhas de outra história.
Beijinho
João
Duro ver o declinio, a doença e o sofrimento de quem a gente ama.
As dores da vida são fundas.
Belissimo poema.
Um grande abraço.
Eu também não!
Dói, dói muito assistir ao declínio lento, a doença avançando e, sentir o sofrimento de quem amamos sem nada poder fazer...
Há dias na vida cuja a dor é profunda, demasiado profunda...
Não quero este dia, o dia 16!
Parabéns pelo belo poema, bjs.
CR/de
Lídia, tem a minha solidariedade na sua dor. É difícil aceitar esse dia. São insondáveis os caminhos do Senhor. Eu lhe ofereço o meu ombro, também sei chorar.
Um abraço amigo.
Há dias assim, que nos cortam a alma, que não os queremos, mas existem... como este teu sentir.
Beijo de carinho, querida Lídia.
olá lidia!como vai?
ah esses beijos que deixam na alma um gosto de trapo,que corta,fere...mas deixa esse beijo porque no momento oportuno virá outro,outro mais quente,ardente que costurar e vai valer por todos aquele que nada valeram!
Lídia, há um dia destes, também em mim e é igualmente neste mês.
Por mais que tente fugir ao dia, há outros dias que me fazem não conseguir esquecer.
É a vida, na imagem da corrida da maratona, inexoravelmente, há um momento em que ficamos para trás.
Um beijo de muito carinho, para ti, Lídia.
Carlos
Há dias que não queremos na nossa vida e no nosso tempo..trazem o espanto negro do luto, o grito silencioso da dor. Pintam diante dos nossos olhos o limite inaceitável, a realidade a bater-se vencedora contra tuto e contra todos... No entanto eles estão ali e permanecem por muito tempo...
Felizmente, a alma fustigada sem piedade por ventos contrários, torna-se mais forte como as árvores torcidas pelo temporal desnundando-lhes quase a raiz e endireitando-se de madrugada quando o sol voltar para nos aquecer..
Lidia, há um amanhã á tua espera...
Beijo
Graça
Há dias que nem as lágrimas
aliviam o corpo a alma os amanhãs
Bj
Há dias em que nada nos anima a alma...e é nesses dias que precisamos de todos os que gostam de nós...
Beijo de uma anjinha
Lidia
Que posso eu dizer. Nada. Guarde a imagem das tranças desfeitas a ornar o rosto, guarde o beijo, guarde o mais possivel na gavetas das recordações, porque, muitas vezes, quando a abrimos deitamos fora aquelas que não têm razão de existirem. Espero que seja esse o caso.
Muita Luz e muita Paz para lhe iluminar o caminho.
HÁ MOMENTOS CINZA ,CINZA ESCURO E NEGROS...DIAS DE TEMPESTADE...MAS O BEIJO DE TRANÇAS FICA PARA SEMPRE...ESSA IMAGEM QUE ENTRA NA ALMA E NADA NEM A ETERNIDADE APAGA.
BEIJO E CORAGEM
Lídia, estas palavras caíram em mim como um meteorito desnorteado e perdido, abrindo-me no peito uma cratera de dor que encho de lágrimas...
Espero que este dia passe depressa...
Beijinho!
Que sentimento tão dolorido... que mágoa...
Só posso oferecer meu abraço...
Não quero esse dia nem amanhã.
De blog em blog, encontrei este espaço de tão belos e ricos momentos.
Parabéns pelo blog.
Luis
Olá, minha querida! Belo poema! Me fizeste lembrar deste:
"Seus dedos na minha pele são arrepios. Todos os pêlos, curiosos, levantam-se para ouvir o suspiro. E, comemorando a vitória da pele sobre as palavras, acompanham seus dedos em ola, arrepiando-se, arrepiados. Seus dedos que, de tão leves, escorregam sobre minha pele, cortando-me em quatro pedaços". Rita Apoena
Bjs
E o beijo que me deu…
a dançar-me na pele,
a cortar-me a alma
em pedaços,
Irremediavelmente!
Ler essas coisas para quem já teve o coração fatiado é smplesmente belíssimo!!! Belíssimo!
O duro é constatar que para escaparmos de qualquer dia que seja deveremos fazer esforço extraordinário. E assim mesmo a chance de êxito é mínima
Csdinho RoCo
PREOCUPASTE-ME BASTANTE COM ESTE POEMA!!!ACHEI-O FORA DE SÉRIE E SEMELHANTE A MUITOS DIAS K ACONTECEM NA MINHA VIDA...MAS SINTO-TE MUITO TRISTE E NÃO ME AGRADA NADA ESTE TEU ESTADO DE ESPÍRITO!!!!FORÇA,AMIGA!!DIAS MELHORES VIRÃO,TENHO A CERTEZA! E TU MERECES TUDO DE BOM NESTA VIDA. BEIJINHOS GRANDES
Lindo esse poema. Eu tenho andado um tanto quanto sumido da internet, mas é bom saber que quando volto eu posso encontrar novamente a beleza dessas imagens e o trato singular com que te doas à linguagem. Versos lindos!
Meus parabéns pelo poema: excelente, que nos faz mergulhar no "caosmos" (J. Joyce)do estilhaçamento, nos entrelaça ao medo, aos arremedos, aos pedaços.
saudações poéticas
luís filipe pereira
também eu tenho medo
mas ,como tu ,ouso
belíssimo poema
.
um beijo ao vento
Enviar um comentário