terça-feira, 23 de novembro de 2010

Graça dos Imperfeitos


Pudesse
compreender a pedra e a sua gramática,

toda a linguagem do silêncio
haveria de comover. Porque


na verdade
dela herdei fala e alento.


Pudesse
enunciar os verbos para compreender
as declinações dos afectos, seria
alcançar a sublime graça
dos imperfeitos

Ivo Machadoin
Antologia - Poemas Fora de Casa
(2006
)

30 comentários:

Branca disse...

Muito profundo este dizer Lídia. Obrigada pela partilha. Estava eu no post anterior a falar da contemplação no silêncio e aqui encontro de imediato e em simultâneo um poema belíssimo que tão bem o define - o espaço onde a poesia comove, ela que é feita de silêncios e palavras que mal os definem.

Beijinhos
Branca

Sueli Maia (Mai) disse...

Lídia,

parece que hoje os textos estão em sincronia.
A sensibilidade à flor da pele.

Aqui complementei minha leitura desta manhã.
Bendita 'graça dos imperfeitos'

E o bônus da trilha sonora me fisgou por completo.

grande abraço e um belo dia!
obrigada!

Teté M. Jorge disse...

Ah.. taí! Gostei!

Uma graça esses imperfeitos!

Beijo carinhoso.

Dilmar Gomes disse...

Olá amiga Lidia. Muito bom este poema.
Um grande abraço.

A.S. disse...

Belo poema Lídia!

Beijos...
AL

Állyssen disse...

Querida Lídia

A 'sublime graça dos imperfeitos' faz-me comover a inspiração para a busca dessa meta.

Beijos em vc!

Álly

Amar sem sofrer na Adolescência disse...

Lindíssimo!!! Desses poemas que a gente lê e relê e se encanta a cada leitura.
Bjs

piedadevieira disse...

Que graça, acabei de ler sobre o silêncio e esse poema me remete à linguagem do silêncio!
Magnífico!

Jorge disse...

Olá, Lídia!
Grato pelas visitas aos meus cantinhos.
Poema perfeito.
Os imperfeitos são indispensáveis. Sem eles, nunca poderíamos atingir os perfeitos.
Bjis
J

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Adorei este poema...maravilhoso, é no silencio que o grito é mais profundo.

Beijinhos
Sonhadora

Cristina Fernandes disse...

Belíssimo este poema, na procura da forma da palavra certa.
Beijinho,
Chris

lágrima disse...

aha... gostei disto:

"Pudesse
enunciar os verbos para compreender
as declinações dos afectos"
Lindo!

Rogério G.V. Pereira disse...

Não queria eu
compreender a pedra e a sua gramática
apenas seu frio e textura
o seu redondo de seixo
arremessado
atirando pela amargura

Nilson Barcelli disse...

Fizeste mais uma excelente escolha.
Beijo, querida amiga.

Anónimo disse...

Palavras ditas, porém as vees pouco compreendidas, o silêncio graça dos imperfeitos que comovem com pouco.
Abraços

. intemporal . disse...

.

. bel.íssimo e não conhecia .

.

. porque há silêncios res.guardados numa escala mayor, e aqui decifrados à Luz da razão que sinerge a realidade com a poesia .

.

. pudesse eu ser em mim todos os dias num só dia .

.

. há tanto que é proíbido conjugar todos os verbos .

.

. há tanto . no tento do tempo .

.

poetaeusou . . . disse...

*
O Açoriano,
Ivo Machado, parabens !
,
Corrido o mar chega o silêncio.
A distância amarra,
e mergulho num sotaque de transterrado.
Aos vapores na correria entre dois mundos
entrego o lirismo da minha língua —
este sabor a enxofre dos
caranguejos das ilhas,
para que ela se dilua na
água de cobre do entardecer.
,
in-Ivo Machado,
,
conchinhas,
,
*

Ana SSK disse...

Muito bonito.

Ricardo Valente disse...

Nem sei o que toca mais: a música ou o poema? Os dois... e você!
Abraço

Valquíria Calado disse...

Tudo que precisamos é compreender, beijos de boa noite amiga.

lis disse...

Lídia
Tem uma música que diz;
"Quando saio sem regar violetas que plantei
A sede que causei me afogará ..."
que todas as imperfeições sejam assim , sensiveis ,
comoventes.
abraço

ítalo puccini disse...

pudesse,
ah, pudesse.

que poema sensacional!

ótima tua postagem.

beijos.

MariaIvone disse...

Quantas gramáticas por conhecer, Quantos imperfeitos por descobir...

Bj

Mª João C.Martins disse...

O silêncio...

O único eco onde encontramos a linguagem própria do nosso contorno e da nossa imperfeição!

Mais um enorme contributo teu para a divulgação do trabalho dos autores que, na sua imperfeição, alcançam a sublime graça.

Um beijinho Lídia e obrigada!!

Graça Sampaio disse...

Lindo!
Gostei.
É que eu sempre gostei da gramática das emoções...

alma disse...

Lidia,

há momentos que as palavras fruem de tal maneira, que expressar o que sentimos será pouco.

apenas o obrigada e ainda bem que existes.

bj

Val Cruz disse...

Simples e marcante. Adorei!

Bjs!!!

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

a sonoridade do poema é bastante envolvente

a d´almeida nunes disse...

Senti o toque do poema!

É quanto me basta, além do mais está bem escrito...

bj António

vieira calado disse...

Quem assim escreve,

é bom poeta.

Embora, penso,

nada dele tenha lido,

anteriormente.

Saudações poéticas