
Há um lugar deserto e misterioso
na memória dos poetas.
Afirmo-o com veemência.
Tropecei, sem querer, nesta verdade
recentemente
quando procurava alento para um poema
mal nascido.
É um lugar estéril,
onde nenhuma musa ousa entrar
para espalhar sementes de inspiração.
É o lugar onde os poetas findos
vão despir a sua identidade falsa
e dormir sobre o orvalho do solo
até se dissolverem.
Serem terra, húmus,
Sal, lágrima…
E despojados assim de si
alguns poderão ser até raiz
enigmáticos caules,
suspensos na translúcida
surpresa de poderem respirar
e nem se lembrarem disso.
Lídia Borges
37 comentários:
LIDIA QUERIDA, QUE PROFUNDO, SÃO OS SENTIMENTOS QUE NEM PRECISAM DE INFLUENCIA EXTERNA, TEM SUAS PRÓPRIAS SUBSTANCIAS, LINDO AMIGA, BEIJOS E BOA TARDE.
Enroscado despido adormecido
ao pé de um Palo Santo
a raiz atravessa úmido solo e toma por sua a sombra absorto de um poeta desdobrado em sonhos livre de todas as palavras não ditas
"...Palo assola-me da ausência destas linhas do tempo, pois tenho tempo e silencio da língua já falada."
Bjs
Olá minha amiga. Obrigado por nos brindar com este belo poema.
Um grande abraço.
[quantas vezes, em desacordo com as gramáticas e dicionários do mundo, gosto de pensar na poesia como um bolbo, que se renova continuamente... assim o deseje esse olhar poeta, despojar-se "no lugar deserto e misterioso", concreto.]
Um imenso abraço,
LB
verdadeiro, forte, dito por palavrasplumas...
abraço
Lidia, eu vi os tons de rosa no horizonte. Eu vi. E estão ali.
Foi em Portugal que vi o céu se colorir
De várias cores, de vários tons
Mas os sons dentro de mim só eu escutava
Meus pés tinha dias que nem tocavam no chão
Saudade
Vou ler você agora. rsrs
Sabe Lídia, comecei a achar que o poeta é um louco que seguiu um outro caminho...ele tem mais de uma personalidade, sai e entra dele mesmo, lida com as várias personagens, vive em muitos mundos...ele visita este mundo deserto e mistérioso...e consegue nos trazer isto em palavras.
abraço
Lídia,
Tão belo exercício de humildade e de poesia da mais pura água, nem sei comentar.
Virei reler e reler...
Beijos
Branca
Seria uma espécie de código secreto que somente a eles é acessível... Uma verdade onde ali mistura paraíso!
Teu poema me leva à exência da alma, onde ninguem pode chegar, muito menos tocar... Belos e profundos versos! Amiga deixo a ti um abraço com saudades e meu carinho, viu? Bjsss
bela verdad salida de un escrito cheio de verdade en cada letran fala o sentir do poeta...
saludos
linda semana}
abracos
Lindo!
Belissimo!
Beijo.
Poema lindo e profundo.
Beijinho.
LIDIA,todo poeta conhece esse cantinho...maravilhosa poesia!Bjs,
Lidia,
Ler-te é obrigatório.
Vais até ao mais fundo e rasgas-nos a carne e entra na alma no mais profundo da ess~encia.
tenho que agradecer-te.
bj
Poetas findos são todos bem vindos, "serem terra, húmus" muito forte essa metáfora, sensacional.
Beijos
Lindo texto Lídia... Você captou com sensibilidade o que preenche a alma dos poetas... Bj com carinho.
Às vezes há territórios que parecem vedados ao poeta. Mas é apenas aparência, pois o poema precisa de tempo para se descobrir, para germinar. Quando menos se espera ei-lo que vinga, radioso, num canteiro onde outras sementes anseiam por desabrochar...
Viajo sempre nas suas palavras, Lídia!
beijo :)
Conheço o endereço!
Quantas vezes adormeci nesse chão, no afago de um poema mal nascido, na esperança de um acordar retemperador onde as musas não temessem investir...
Engano meu!
Lidia, imenso abraço, adorei o seu poema.
Lidia, continuas a semear poesia e ela nasce e floresce em qualquer estação. Passamos por aqui colhemos palavras viçosas, poéticas, e guardamos na memória que não esquece.
Beijo, querida Lidia.
Carlos
maravilha de poema
beijo
Belo poema, muito intenso.
O poeta não é uma pessoa qualquer, a sua arte - a poesia - sobrevive renovada e revigorada por mais áridos que sejam os terrenos que a sua mente depare.
Bji
J
Maravilhoso poema, bendita seara. O poeta vive como que com a mão no gatilho, sem nunca atirar. Mas é seu o reino infinito das possibilidades e da imaginação, ele vive todos os papeis sem optar por nenhum; a opção seria o tiro, o compromisso com a realidade que exclui o pairar na esfera das possibilidades. É o alcoviteiro que estabelece comércio entre o espírito e a vida, o saber e a beleza, as alturas e as profundezas, entre Apolo e Dionísio.
Lídia
De tantos poemas teus que já li, este é aquele que definitivamente me silência, no espanto reflectido...
Não consigo dizer mais, porque ele é tudo e tanto!!
Um beijinho de enorme admiração.
Costumava pensar que, tivesse eu podido escolher, e teria nascido poeta. Não sou. Da ponta dos meus dedos nunca brotou poema algum. Não sou poeta, estou do outro lado da vida, mas debruço-me e espreito esse lugar de mistérios...
Acredite que fico verdadeiramente feliz por me ter cruzado consigo.
Um beijinho grande
Difícil comentar tão encantador e completo poema! maravilhoso.
Bjs
Vais adorar ler "Area Afectada".
Vais adorar descobrir o que é a "casa".
O livro é um poema enorme.
É extraordinária a sensibilidade deste homem.
Eu fiquei fascinada.
Estive muito tempo indecisa, até publicar algo dele, por sentir tão pequenina...
Lê, vais amar.
Beijo.
Os poetas são aqueles que estão mais próximos da terra húmida, do chão original...
Um lugar de viver a poesia
Minha querida
Apenas um poeta para descrever esse sentimento tão bem.
deixo um beijinho com carinho
Sonhadora
OI Lídia
santuário dos poetas, estou imaginado a beleza desse lugar dos poetas findos.
Maravilhoso poema
vou levar comigo rs
abraços
Belíssimo, Lídia!
Meus parabéns!
Forte abraço
E despojados assim de si
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No final do combate há sempre os despojos.
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Felicidades.
Manuel
Gosto de ler e reler...
e, e depois não sei comentar...
Beijos*
Excelente poema!
"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."
(Fernando Pessoa)
Bom fim-de-semana
Beijinhos
Maria
Querida Lídia, belo poema aos poetas findos, que só um poutro poeta consegue descrever.
Adoro ler a sua poesia.
Beijios e boa semana
É um grande Poema, Lídia. Foi um prazer lê-lo. Vou guardá-lo.
Beijinho.
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