Narciso (1594-1596), por Caravaggio
Virá o dia em que deixaremosde nos ver de nos ouvir
uns aos outros.
Em que emudeceremos
Perdidos
lá longe onde as nascentes se calam
e os musgos abrigam o frio dos seixos.
E nesse dia
tudo será como noutros dias.
Os rios continuarão
sua interminável viagem
para o mar.
O dia há-de preceder a noite
E a noite, o dia.
Os pássaros riscarão o céu nos voos habituais,
as plantas sorrirão
ao sol.
Tudo será como sempre foi.
Só nós saberemos
que ouvindo ficámos surdos,
que vendo ficámos cegos.
Só nós saberemos quantas estrelas
a bruma pode apagar
ao cair densa sobre os nossos ombros
Solitários.
27 comentários:
Posso perder a beleza do arco-íris se cegar, o chilrear dos pássaros se ensurdecer mas apressar-me-ei a aprender Braille para que nunca me falte a beleza das tuas palavras.
Obrigado,
Pedro Gaivota
PS: Quando for grande, quero escrever assim ;)
Por enquanto, brilhemos.
Maravilhoso, minha amiga...
Hoje, especialmente, a solidão faz parada em meu coração, pois seria o aniversário de meu marido que, quanto mais tempo passa, mas sua ausência se faz presença,,,
Beijos...
Quando da minha janela, digo que me dói ver uma máquina a empurrar tudo e todos para um só lugar, sem saber que lugar é esse...
Encontro a resposta parcial neste teu poema
que afirma ser esse, um lugar de solidão
Ficando por responder
se da alma ou do coração...
(apenas coincidências de posts, aposto)
Lídia, belíssimo! Que o amor se faça urgente então para que não sejamos indiferentes. Afinal, são tantas belezas nesta vida, a começar pelo teu poema.
Feliz 2011!
Beijos
Glória
Lídia, é como se eu pensasse há muito tempo neste exato poema. Já vim tentar comentar algumas vezes, mas é muito íntimo. Você fez um poema em meu estômago.
A gente se dá conta do abismo depois que cai.
Lindíssima mensagem, poema muito bem escrito!
Beijo.
"Só nós saberemos", pois é esse o peso da nossa lucidez.
Gostei muito, gosto sempre.
Um beijinho
Linda escolha, Lidia! beijos,tudo de bom,chica
tristemente encantador, o poema dói
beijo
Lídia
Quero acreditar, que esse dia jamais chegará para todos. Quero acreditar que haverá sempre quem veja e quem oiça, porque se recusa a viver em perfeita escuridão. Serão esses os eternos guardadores de estrelas, os únicos que nunca deixarão de acreditar no brilho do céu quando as estrelas se reúnem.
Um beijinho minha amiga e obrigada pelo brilho que emanas.
Lindo, cara amiga Lídia. Você é uma poetisa de mão cheia.
Um grande abraço.
Só nós saberemos que, para lá da bruma, resistirão os poetas... como Tu! Adorei o poema.
Um beijo de carinho, Lídia, e que o Novo Ano se encha de poesia.
[Obrigada por todas as palavras de incentivo e pela companhia, no meu 'palco', ao longo do ano.]
Lídia,
O canto é profético mas, lá bem no fundo, essa é a solidão que não quer, que não queremos. E o poema - belíssimo, diga-se - acaba por ser um alerta. Mas, como em tudo, haverá ouvidos para todos os gostos.
Beijo :)
E os pássaros riscam o céu na sua rota sempre sábia e profética...
Beijo grande Lídia e desejo-te um ano de 2011 cheio de poesia e muitas felicidades.
Chris
*
Amiga
,
que as vagas de 2011,
te tragam um mar de saúde e
marés de coisas boas (se possível)
,
conchinhas de amizade,
,
*
"Solidão
Campo aberto
Campo chão
Tão deserto
Meu verão
Ansiedade
Meu irmão
De saudade"
E que o dia que sucede a noite, e a noite que sucede o dia, sejam imensamente preenchidos. Um Feliz 2011 e um sorriso carregado de carinho ;)
Uma solidão tão bela e profunda que quase apetece ser solitário, no imenso rio dos teus versos.
Bjs
Runa
Como sempre a beleza das palavras! encantadora poesia!
Beijinhos
Mensagem muito profunda, Lídia!
Repensar como ouvimos, como vemos e agir para tentar evitar a solidão, num mundo que, por vezes, parece cego e mudo...
lindíssimo poema! as suas palavras tocam-nos!
Beijinho
Olá Lidia
Venho desejar umas boas entrdas em 2011.
beijinhos
O que dizer desta preciosa junção musical com a poesia e a imagem?
O que dizer de tão douta descrição da solidão - aquela que tão bem conheço?!
Excelente.
Feliz 2011 para si, familiares, todos os que lhe são queridos e aos leitores deste blogue.
Então, brilhemos e que nosso brilho produza vida.
Texto triste e instigador!
Um novo ano de gente que ouve e sente e fala e estende a mão e abre o coração.
Bjo
Lídia,
Há momentos que as palavras não têm cabimento. Apenas nos quedamos a sentir.
este é um momento que me levanto e te aplaudo.
bj
Que dizer de um texto como este? Ler e reler. E sentir... Lindíssimo, Lídia. beijos.
maravilhosa
peça de
filigrana
[entrelaça]
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