Uma janela fechada pode ser uma coisa tão triste
olhada de fora, um dia depois de tudo.
As cortinas de renda e a sombra parada do vaso
cuja planta deixou de crescer... Tenho a certeza.
O lugar abandonado pelo gato…
[Para onde terá ido, o gato?]
As cordas de secar a roupa, sem roupa
e as molas a prenderem um lamento brando
que balança condoído, no vento
Um dia depois de tudo.

25 comentários:
Bonito poema, apesar de triste. Ao lê-lo fiquei pensando num dia depois da morte de um querido, momento em que a gente vê ao nosso redor, somente a tristeza.
Um grande abraço e um bom fim de semana.
Que puedo decir si tu poesía es de las que hacen suspirar, late el corazón conquistando todo..
Un placer leerte.
Un abrazo
Saludos fraternos...
Que disfrutes el fin de semana..
Alguém que abandonou o lugar onde viveu longos anos...
Lídia, senti fundo esse poema. A imagem também casando tudo. A ausência preencheu. Perfeito!
Voltei para dizer, uma das coisas mais lindas que já li suas. =)
Preciso aprender o silêncio das coisas perdidas.
(Rita Schultz)
Depois de tudo, resta a poesia a martelar silêncios. (para onde terá ido o gato?)
Encanto-me sempre por aqui...
beijo e um ótimo final de semana!
Belo e intenso!
.
.
. "um dia depois de tudo" sei da metáfora que me é vestal e mulher da palavra virgem .
.
. "um dia depois de tudo" . fico . peregrino dos raros lugares de onde nunca soube sair . como deste . aqui . na lucidez da moeda da dádiva . e nunca da troca . mera .
.
. "Para onde terá ido, o gato?" .
.
. bom fim de semana e um beijo meu . lídia .
.
.
Um cerimonial silêncio.
Calou aqui também.
Beijo,Lídia!
Marlene
Imensamente triste e vazio um dia depois de tudo...
Beijos e um bom final de semana.
O vazio, deixado para trás... Tudo conforme sempre teria sido... menos o estendal vazio e o gato desaparecido. Um dia depois de tudo. Um dia depois de tanto, que foi tudo. triste lamento que balança na corda por cima de quem passa do lado de fora... :) Tantas janelas que passamos no dia seguinte a tudo... :) Beijo e bom fim-de-semana!
Una poesía llena de bonitos sentimientos.
Un placer pasar a leerte.
que tengas un feliz fin de semana.
un abrazo.
RÉPLICA
Uma janela fechada pode ser uma coisa tão triste
olhada de fora, um dia depois de tudo.
E se esse tudo fosse nada?
Se essa janela, antes fechada
se voltasse a abrir?
Do vaso nova alma voltasse a florir?
Se num salto felino o gato
regressasse ao parapeito?
Ficaria apenas como memória do lamento
Um lenço bordado
na corda pendurado
secando ao vento
a lágrima vertida
Um dia depois de tudo,
que fora nada
Tudo regressou à vida
Por dentro dessa janela,
antes fechada
Minha querida
Muito profundo este poema...um vazio para além do tempo...um cheio que deixou de ser.
Apenas ficou o silêncio.
Adorei e deixo um beijinho
Sonhadora
Beleza, sensibilidade, profundidade é o que nunca faltou na tua poesia Lídia.
Lembras-te de uma vez, há muito tempo te dizer que tinhas uma poesia que me fazia lembrar Eugénio de Andrade? Pois agora digo-te que tens uma poesia que não me faz lembrar ninguém senão tu.
Creio que Eugénio gostaria de ter escrito este poema. Deslumbrantemente belo, tão belo que a beleza se sobrepõe a alguma tristeza ou saudade que lhe possa estar subjacente.
Hoje por aqui e ainda nos retoques finais do meu jardim. Obrigada por tudo que me deste durante tanto tempo.
Beijos
Branca
como disse o poeta: que triste são as coisas consideradas sem ênfase,
beijo
Um poema profundo e nostálgico, intenso no conteúdo!
Bjs
O gato, melhor que ninguém, saberá porque partiu.
As molas da roupa, inúteis agora, também o tentaram.
E, na fotografia descolorida pelo tempo, até a cor partiu...
Um óptimo domingo
Olá
Senti um silêncio profundo pleno de tristeza.
Bjs.
Muito belo e profundo.
E depois, será que alguém vai recordar?
Ou apenas o vazio e a escuridão permanecerão.
Será que a luz voltará a entrar pela janela?
Beijinhos.
Ailime
A ausência preenchida de tristeza.
Muito especial este poema.
Beijo e fique bem
O retrato da solidão. Do abandono.
Nostalgia da roupa estendida em dias de sol.
o gato que foi a procura de outro afago.
e a poeta sabe tudo! parabéns
um abraço
A minha é esta:
A MINHA JANELA
A minha janela fechada
tem todo o mundo lá dentro,
que os meus olhos e o tempo
guardam por tudo e por nada.
Se aberta de par em par,
a janela da minha casa,
dá-me alento e o golpe d’asa
que preciso para voar.
Vejo o mundo da janela
tudo o que mexe na rua
vejo o sol e vejo a lua
só de fora a vejo a ela
Beijinho
João
Mas a janela vivida de dentro... é como o nosso jardim interior...
Tudo pode ser tão triste no vazio de tudo, mesmo que as janelas nunca se fechem e o gato lá permaneça a fixar o tempo com o olhar.
Tudo pode ser uma coisa ou outra, mas o vento faz-nos sempre sentir alguma coisa, quando passa a ecoar solidão.
Gosto, gosto sempre tanto!!
Um beijinho, Lídia
Enviar um comentário