sábado, 21 de maio de 2011

Um dia depois de tudo


Uma janela fechada pode ser uma coisa tão triste
olhada de fora, um dia depois de tudo.
As cortinas de renda e a sombra  parada do vaso
cuja  planta deixou de crescer... Tenho a certeza.
O lugar abandonado pelo gato… 
[Para onde terá ido, o gato?]
As cordas de secar a roupa, sem roupa
e as molas a prenderem um lamento brando
que balança condoído, no vento

Um dia depois de tudo.

25 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Bonito poema, apesar de triste. Ao lê-lo fiquei pensando num dia depois da morte de um querido, momento em que a gente vê ao nosso redor, somente a tristeza.
Um grande abraço e um bom fim de semana.

aapayés disse...

Que puedo decir si tu poesía es de las que hacen suspirar, late el corazón conquistando todo..

Un placer leerte.

Un abrazo
Saludos fraternos...

Que disfrutes el fin de semana..

Catarina disse...

Alguém que abandonou o lugar onde viveu longos anos...

Anónimo disse...

Lídia, senti fundo esse poema. A imagem também casando tudo. A ausência preencheu. Perfeito!

Anónimo disse...

Voltei para dizer, uma das coisas mais lindas que já li suas. =)

Celso Mendes disse...

Preciso aprender o silêncio das coisas perdidas.
(Rita Schultz)

Depois de tudo, resta a poesia a martelar silêncios. (para onde terá ido o gato?)

Encanto-me sempre por aqui...

beijo e um ótimo final de semana!

Juan Moravagine Carneiro disse...

Belo e intenso!

. intemporal . disse...

.

.

. "um dia depois de tudo" sei da metáfora que me é vestal e mulher da palavra virgem .

.

. "um dia depois de tudo" . fico . peregrino dos raros lugares de onde nunca soube sair . como deste . aqui . na lucidez da moeda da dádiva . e nunca da troca . mera .

.

. "Para onde terá ido, o gato?" .

.

. bom fim de semana e um beijo meu . lídia .

.

.

marlene edir severino disse...

Um cerimonial silêncio.
Calou aqui também.

Beijo,Lídia!

Marlene

UBIRAJARA COSTA JR disse...

Imensamente triste e vazio um dia depois de tudo...

Beijos e um bom final de semana.

Eva Gonçalves disse...

O vazio, deixado para trás... Tudo conforme sempre teria sido... menos o estendal vazio e o gato desaparecido. Um dia depois de tudo. Um dia depois de tanto, que foi tudo. triste lamento que balança na corda por cima de quem passa do lado de fora... :) Tantas janelas que passamos no dia seguinte a tudo... :) Beijo e bom fim-de-semana!

Ricardo Miñana disse...

Una poesía llena de bonitos sentimientos.
Un placer pasar a leerte.
que tengas un feliz fin de semana.
un abrazo.

Rogério G.V. Pereira disse...

RÉPLICA

Uma janela fechada pode ser uma coisa tão triste
olhada de fora, um dia depois de tudo.
E se esse tudo fosse nada?
Se essa janela, antes fechada
se voltasse a abrir?
Do vaso nova alma voltasse a florir?
Se num salto felino o gato
regressasse ao parapeito?

Ficaria apenas como memória do lamento
Um lenço bordado
na corda pendurado
secando ao vento
a lágrima vertida
Um dia depois de tudo,
que fora nada
Tudo regressou à vida
Por dentro dessa janela,
antes fechada

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Muito profundo este poema...um vazio para além do tempo...um cheio que deixou de ser.
Apenas ficou o silêncio.
Adorei e deixo um beijinho
Sonhadora

Branca disse...

Beleza, sensibilidade, profundidade é o que nunca faltou na tua poesia Lídia.
Lembras-te de uma vez, há muito tempo te dizer que tinhas uma poesia que me fazia lembrar Eugénio de Andrade? Pois agora digo-te que tens uma poesia que não me faz lembrar ninguém senão tu.
Creio que Eugénio gostaria de ter escrito este poema. Deslumbrantemente belo, tão belo que a beleza se sobrepõe a alguma tristeza ou saudade que lhe possa estar subjacente.

Hoje por aqui e ainda nos retoques finais do meu jardim. Obrigada por tudo que me deste durante tanto tempo.

Beijos
Branca

Unknown disse...

como disse o poeta: que triste são as coisas consideradas sem ênfase,


beijo

Lilá(s) disse...

Um poema profundo e nostálgico, intenso no conteúdo!
Bjs

Entremares disse...

O gato, melhor que ninguém, saberá porque partiu.
As molas da roupa, inúteis agora, também o tentaram.

E, na fotografia descolorida pelo tempo, até a cor partiu...


Um óptimo domingo

Mona Lisa disse...

Olá

Senti um silêncio profundo pleno de tristeza.

Bjs.

Emília Simões disse...

Muito belo e profundo.
E depois, será que alguém vai recordar?
Ou apenas o vazio e a escuridão permanecerão.
Será que a luz voltará a entrar pela janela?
Beijinhos.
Ailime

angela disse...

A ausência preenchida de tristeza.
Muito especial este poema.
Beijo e fique bem

lis disse...

O retrato da solidão. Do abandono.
Nostalgia da roupa estendida em dias de sol.
o gato que foi a procura de outro afago.
e a poeta sabe tudo! parabéns
um abraço

João de Sousa Teixeira disse...

A minha é esta:
A MINHA JANELA

A minha janela fechada
tem todo o mundo lá dentro,
que os meus olhos e o tempo
guardam por tudo e por nada.

Se aberta de par em par,
a janela da minha casa,
dá-me alento e o golpe d’asa
que preciso para voar.

Vejo o mundo da janela
tudo o que mexe na rua
vejo o sol e vejo a lua
só de fora a vejo a ela

Beijinho
João

Jaime A. disse...

Mas a janela vivida de dentro... é como o nosso jardim interior...

Mª João C.Martins disse...

Tudo pode ser tão triste no vazio de tudo, mesmo que as janelas nunca se fechem e o gato lá permaneça a fixar o tempo com o olhar.
Tudo pode ser uma coisa ou outra, mas o vento faz-nos sempre sentir alguma coisa, quando passa a ecoar solidão.

Gosto, gosto sempre tanto!!

Um beijinho, Lídia