segunda-feira, 20 de junho de 2011

Para dizer o indizível


Havia uma intenção madura
de traduzir a terra,
escutar-lhe a correnteza da seiva,
o despertar lento da semente,
a obediência das raízes.

Para dizer o indizível
Onde buscar as palavras?
Hoje
que o meu alfabeto
amanheceu encismado
e foi sentar-se todo o dia
nas horas poentes
a remoer passados
a dobrar e a desdobrar saudades

Hoje,
a voz ficou-me só
para os silêncios.

24 comentários:

Eva Gonçalves disse...

Há dias assim...em que a voz se recusa a se fazer ouvir, preferindo o silêncio audível

OceanoAzul.Sonhos disse...

Tem dias, alturas da vida em que o silêncio nos faz companhia e nos alimenta memórias...tem dias...
As suas palavras são poesia.
Bjs
oa.s

marlene edir severino disse...

Lídia,

E deixa que fique, querida!
Que se aposse,
te transpasse...

Celebre esse instante,
não há o que dizer,
ele fala por ti!

Meu beijo!

Marlene

Domingos Barroso disse...

Lídia, que poema
tocante
...

Beijo carinhoso.

(e que o silêncio
frutifique)

Rogério G.V. Pereira disse...

Parto
Poeta
Com a missão
De procurar a palavra certa
Aquela pedida
Para dizeres o indizivel
Virei aqui para te a oferecer
Com a certeza de que as já usadas
Mesmo encismadas
Pela forma e o sentido do teu escrito
Deram-me a dimensão de um silêncio
Tão belo, tão maduro, tão bonito

Celso Mendes disse...

Ainda que indizível, ainda que silêncio, ficam os sentidos e as palavras que quiseram pousar em outro tempo.

Lindo, Lídia!

beijo.

Ricardo Valente disse...

Boa!

Paulo Francisco disse...

...a voz ficou-me só...
Uma tradução linda da saudade.
Um beijo grande

ph disse...

de muito interesse este cantinho.

João de Sousa Teixeira disse...

Há uma brisa, não vê?
Assim, com a janela
aberta para a distância,
com um só dedo
se toca o horizonte
e o silêncio da respiração…

Beijinho
João

Mateus Medina disse...

Lindíssimo.

Sei que é "chover no molhado", mas a verdade é que esse cantinho sempre me deixa boquiaberto com a sensibilidade que transborda das suas palavras.

Parabéns, Lidia.

bjocas

MeuSom disse...

para o indizivel...
... nada mais que o sentir e a música [que os deuses criaram]

poema extraordinariamente belo. dos mais belos que já li! e Pedro Barroso com sua menina linda..., não podias ter escolhido melhor para este lugar de ternura/amor/doce extremo que aqui criaste hoje.

magnifici, Lidia!
beijo.

sérgio figueiredo disse...

há momentos em que o "dizer" se cala, muito porque as palavras estão adormecidas no passado, e preferem dar lugar ao recordar as suas antecessoras.
é um momento necessário... o rever.

Flor de Jasmim disse...

Lidia querida
Forte!!! Para quê falando quando não somos ouvidos.
Beijinho

Mar Arável disse...

Sopro-te

e voo

Anónimo disse...

Há dias assim, de ver cortinas dizerem ao vento; nem ouviram falar de nós...

Lindo poema, moça!
Beijo.

paula barros disse...

Tem dias que me sinto assim, que minhas palavras se comportam assim, mas eu não sei escrever lindo assim.

"e foi sentar-se todo o dia
nas horas poentes
a remoer passados
a dobrar e a desdobrar saudades"

beijo

Rafael Castellar das Neves disse...

Muito bom isso!!!

[]s

Branca disse...

E é nos silêncios que melhor se expressa o indizível.

saudades de vir aqui Lídia. Apesar da ausência temporária, da necessidade de algum tempo para descansar, este blog nunca me saiu da cabeça e quando o tempo se me esgota e não consigo chegar cá, fico sempre penalizada por isso.

Que me perdoem os outros poetas da blogosfera, que os há muito bons, gosto de muita poesia que por aqui se faz, mas tu e o Eufrázio são as minhas pérolas poéticas. Eu sou uma mera aprendiz que se atreve a brincar com as palavras.

Beijinhos
Branca

linksdistodaquilo disse...

Belo poema, bela foto.
Beijinhos.

Val Cruz disse...

Lídia, quanto tempo não trocamos mensagens através de nossos blogs?! Risos.... mas, é assim mesmo, às vezes não conseguimos visitar todos. Mas, isso não quer dizer que nosso carinho não seja o mesmo.

Como sempre seus textos me encantam.

Grande beijo!

AC disse...

Lídia, Às vezes o silêncio diz muito mais que qualquer palavra.
Tocou-me!

Beijo :)

Mª João C.Martins disse...

Apenas os silêncios sabem, as palavras certas para dizer o indizível.

Beijo

Sempre disse...

"a dobrar e a desdobrar saudades
para dizer o indizível"; tem dias, de se mergulhar, vir à tona e respirar em silêncio. Beijinhos ;)