Havia uma intenção madura
de traduzir a terra,
escutar-lhe a correnteza da seiva,
o despertar lento da semente,
a obediência das raízes.
Para dizer o indizível
Onde buscar as palavras?
Hoje
que o meu alfabeto
amanheceu encismado
e foi sentar-se todo o dia
nas horas poentes
a remoer passados
a dobrar e a desdobrar saudades
Hoje,
a voz ficou-me só
para os silêncios.
24 comentários:
Há dias assim...em que a voz se recusa a se fazer ouvir, preferindo o silêncio audível
Tem dias, alturas da vida em que o silêncio nos faz companhia e nos alimenta memórias...tem dias...
As suas palavras são poesia.
Bjs
oa.s
Lídia,
E deixa que fique, querida!
Que se aposse,
te transpasse...
Celebre esse instante,
não há o que dizer,
ele fala por ti!
Meu beijo!
Marlene
Lídia, que poema
tocante
...
Beijo carinhoso.
(e que o silêncio
frutifique)
Parto
Poeta
Com a missão
De procurar a palavra certa
Aquela pedida
Para dizeres o indizivel
Virei aqui para te a oferecer
Com a certeza de que as já usadas
Mesmo encismadas
Pela forma e o sentido do teu escrito
Deram-me a dimensão de um silêncio
Tão belo, tão maduro, tão bonito
Ainda que indizível, ainda que silêncio, ficam os sentidos e as palavras que quiseram pousar em outro tempo.
Lindo, Lídia!
beijo.
Boa!
...a voz ficou-me só...
Uma tradução linda da saudade.
Um beijo grande
de muito interesse este cantinho.
Há uma brisa, não vê?
Assim, com a janela
aberta para a distância,
com um só dedo
se toca o horizonte
e o silêncio da respiração…
Beijinho
João
Lindíssimo.
Sei que é "chover no molhado", mas a verdade é que esse cantinho sempre me deixa boquiaberto com a sensibilidade que transborda das suas palavras.
Parabéns, Lidia.
bjocas
para o indizivel...
... nada mais que o sentir e a música [que os deuses criaram]
poema extraordinariamente belo. dos mais belos que já li! e Pedro Barroso com sua menina linda..., não podias ter escolhido melhor para este lugar de ternura/amor/doce extremo que aqui criaste hoje.
magnifici, Lidia!
beijo.
há momentos em que o "dizer" se cala, muito porque as palavras estão adormecidas no passado, e preferem dar lugar ao recordar as suas antecessoras.
é um momento necessário... o rever.
Lidia querida
Forte!!! Para quê falando quando não somos ouvidos.
Beijinho
Sopro-te
e voo
Há dias assim, de ver cortinas dizerem ao vento; nem ouviram falar de nós...
Lindo poema, moça!
Beijo.
Tem dias que me sinto assim, que minhas palavras se comportam assim, mas eu não sei escrever lindo assim.
"e foi sentar-se todo o dia
nas horas poentes
a remoer passados
a dobrar e a desdobrar saudades"
beijo
Muito bom isso!!!
[]s
E é nos silêncios que melhor se expressa o indizível.
saudades de vir aqui Lídia. Apesar da ausência temporária, da necessidade de algum tempo para descansar, este blog nunca me saiu da cabeça e quando o tempo se me esgota e não consigo chegar cá, fico sempre penalizada por isso.
Que me perdoem os outros poetas da blogosfera, que os há muito bons, gosto de muita poesia que por aqui se faz, mas tu e o Eufrázio são as minhas pérolas poéticas. Eu sou uma mera aprendiz que se atreve a brincar com as palavras.
Beijinhos
Branca
Belo poema, bela foto.
Beijinhos.
Lídia, quanto tempo não trocamos mensagens através de nossos blogs?! Risos.... mas, é assim mesmo, às vezes não conseguimos visitar todos. Mas, isso não quer dizer que nosso carinho não seja o mesmo.
Como sempre seus textos me encantam.
Grande beijo!
Lídia, Às vezes o silêncio diz muito mais que qualquer palavra.
Tocou-me!
Beijo :)
Apenas os silêncios sabem, as palavras certas para dizer o indizível.
Beijo
"a dobrar e a desdobrar saudades
para dizer o indizível"; tem dias, de se mergulhar, vir à tona e respirar em silêncio. Beijinhos ;)
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