Corro.
Corro pelas rotinas fora e sofro
porque
todas as coisas são inadiáveis:
o medicamento, o riso, o afago, a lágrima
e
esta dor no peito que não abranda
perseguida
vorazmente
por
um relógio exasperado, a
cada momento
tique-taque…tique-taque…tique-taque…
Corro.
Corro e levo na cabeça o eco perturbador
dos poemas
que ainda ninguém escreveu.
Silenciados,
inaudíveis imploram, gritam...
Amordaço-os,
contorno-os para não ensurdecer
Não
tenho tempo.
E
corro, corro porque todas as coisas
são impreteríveis
e inequivocamente urgentes
Mais
urgentes do que eu, do que tu.
Eu e
tu temos tempo.
O
tempo que não sobra é todo nosso.
Somos
perpétuos nas horas sem nós.
O
tempo adianta-se-nos, ultrapassa-nos
devora
a fímbria da nossa anuída eternidade
com
fim anunciado. Sabêmo-lo.
Atentos
às investidas dos ventos,
tratamos
de nós, esquecidos de nós.
Corro,
corro pelas rotinas fora e sei
que,
dia a dia, vamos perdendo o tempo
de haver tempo.
de haver tempo.

23 comentários:
É preciso dar tempo
ao tempo
mesmo que o tempo
não seja nosso
Bjs
tratemos de nós, dentro de nós
ganhemos o tempo antes que o percamos
(hoje só me acontecem frémitos de emoção...)
O Tempo para mim ainda conta mas... devagar.
Bj
J
Corro apenas para lhe dizer que é lindo.
o tempo?!
ah esse malvado....
comovente o teu poema.
uma boa semana.
um beijo
Já não corro!
Deixo passar o tempo e espero que um dia seja tempo de haver outro tempo!
Comodista?
Talvez, mas sobretudo precavida contra a vida!
Mas um belo poema...
Abraço
Vamos perdendo o tempo de haver tempo....
Mas se ouvirmos o vento, já vale a pena viver:)))
Beijo
e de haveres tantos e tempo vário, somos sós e nada mais
beijo
Oi Lidia lindo poema....
Enviei um email para você aguardo resposta,
Beijos de luz
E vivemos num tempo sem tempo.
Muito bonito.
Bjs
O tempo boa amiga! Nos deixa muitas vezes de mãos e pés atados, sem nada poder fazer,só mesmo esperar o tal tempo para tudo florir.
Beijinho
vários tempos dentro do inexorável Tempo... que é um grande escultor.
beijo
Dos/nos tempos, alisamos o tempo para sentirmos que o tempo de nós é nosso.
E, sem tempo, perdemos esse tempo e, irremediavelmente, nos perdemos também.
Beijo
Laura
Se há um sentimento que me agonia, é esse.
Estamos sempre a correr, tudo é muito rápido, urgente, inadiável. Temos vivido, de fato, ou só corrido de "ponto" em "ponto"?
" O tempo que não sobra é todo nosso.
Somos perpétuos nas horas sem nós."
Sensacinal, para não variar =)
bjos
O tempo exerce sempre um fascínio perturbador.
Beijinho.:)
É bom parar o tempo para ler as palavras que queremos nos toquem. E paramos... sempre que quisermos.
Um prazer ler o que escreve Lídia.
beijinhos
cvb
...hoje, cada vez mais apanhar o vento do tempo...é uma maresia de ansiedades...
Gostei!
Beijo
Os dedos do tempo, roubando-nos as mãos que deviam ser carícia...
Um beijo
O tempo corre demasiado rápido por vezes, mas, se pensarmos que assim se vai embora o inverno, tudo fica mais fácil...
Bjs
O tempo é inexorável.
Muito bom este poema. comovente, mesmo.
Beijinho
Que poema lindo! Lindo! Lindo!!!!!
* A sua poesia é bem estruturada, elegante .Agradeço seu elogio,lisonjeada. Beijo
Tão belo e tão verdadeiro. O tempo...o nosso maior inimigo. Com ele nunca ganhamos. Perdemos sempre. Beijos com carinho
O tempo é uma formiga malvada que carrega folha por folha a árvore da vida.
bjs
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