domingo, 3 de março de 2013

do(s) tempo(s)

                                                                                                                                                   imagem net

Corro. Corro pelas rotinas fora e sofro
porque todas as coisas são inadiáveis:
o medicamento, o riso, o afago, a lágrima
e esta dor no peito que não abranda
perseguida vorazmente
por um relógio exasperado, a cada momento
tique-taque…tique-taque…tique-taque…

Corro. Corro e levo na cabeça o eco perturbador
dos poemas que ainda ninguém escreveu.
Silenciados, inaudíveis imploram, gritam...
Amordaço-os, contorno-os para não ensurdecer
Não tenho tempo.

E corro, corro porque todas as coisas
são impreteríveis e inequivocamente urgentes
Mais urgentes do que eu, do que tu.
Eu e tu temos tempo.
O tempo que não sobra é todo nosso.
Somos perpétuos nas horas sem nós.

O tempo adianta-se-nos, ultrapassa-nos
devora a fímbria da  nossa anuída eternidade
com fim anunciado. Sabêmo-lo.
Atentos às investidas dos ventos,
tratamos de nós, esquecidos de nós.
Corro, corro pelas rotinas fora e sei  
que, dia a dia, vamos perdendo o tempo 
de haver tempo.




23 comentários:

Mar Arável disse...

É preciso dar tempo
ao tempo
mesmo que o tempo
não seja nosso

Bjs

Rogério G.V. Pereira disse...

tratemos de nós, dentro de nós
ganhemos o tempo antes que o percamos

(hoje só me acontecem frémitos de emoção...)

Jorge disse...

O Tempo para mim ainda conta mas... devagar.
Bj
J

Vítor Fernandes disse...

Corro apenas para lhe dizer que é lindo.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

o tempo?!
ah esse malvado....

comovente o teu poema.

uma boa semana.

um beijo

Rosa dos Ventos disse...

Já não corro!
Deixo passar o tempo e espero que um dia seja tempo de haver outro tempo!
Comodista?
Talvez, mas sobretudo precavida contra a vida!
Mas um belo poema...

Abraço

JP disse...

Vamos perdendo o tempo de haver tempo....

Mas se ouvirmos o vento, já vale a pena viver:)))

Beijo

Unknown disse...

e de haveres tantos e tempo vário, somos sós e nada mais


beijo

mariaselma disse...

Oi Lidia lindo poema....
Enviei um email para você aguardo resposta,
Beijos de luz

Rita Freitas disse...

E vivemos num tempo sem tempo.

Muito bonito.

Bjs

Agulheta disse...

O tempo boa amiga! Nos deixa muitas vezes de mãos e pés atados, sem nada poder fazer,só mesmo esperar o tal tempo para tudo florir.
Beijinho

Manuel Veiga disse...

vários tempos dentro do inexorável Tempo... que é um grande escultor.

beijo

Laços e Rendas de Nós disse...

Dos/nos tempos, alisamos o tempo para sentirmos que o tempo de nós é nosso.
E, sem tempo, perdemos esse tempo e, irremediavelmente, nos perdemos também.

Beijo

Laura

Mateus Medina disse...

Se há um sentimento que me agonia, é esse.

Estamos sempre a correr, tudo é muito rápido, urgente, inadiável. Temos vivido, de fato, ou só corrido de "ponto" em "ponto"?

" O tempo que não sobra é todo nosso.
Somos perpétuos nas horas sem nós."

Sensacinal, para não variar =)

bjos

ana disse...

O tempo exerce sempre um fascínio perturbador.
Beijinho.:)

OceanoAzul.Sonhos disse...

É bom parar o tempo para ler as palavras que queremos nos toquem. E paramos... sempre que quisermos.

Um prazer ler o que escreve Lídia.
beijinhos
cvb

OUTONO disse...

...hoje, cada vez mais apanhar o vento do tempo...é uma maresia de ansiedades...

Gostei!

Beijo

Anna disse...

Os dedos do tempo, roubando-nos as mãos que deviam ser carícia...

Um beijo

Lilá(s) disse...

O tempo corre demasiado rápido por vezes, mas, se pensarmos que assim se vai embora o inverno, tudo fica mais fácil...
Bjs

Sandra Subtil disse...

O tempo é inexorável.
Muito bom este poema. comovente, mesmo.
Beijinho

NDORETTO disse...

Que poema lindo! Lindo! Lindo!!!!!

* A sua poesia é bem estruturada, elegante .Agradeço seu elogio,lisonjeada. Beijo

rosa-branca disse...

Tão belo e tão verdadeiro. O tempo...o nosso maior inimigo. Com ele nunca ganhamos. Perdemos sempre. Beijos com carinho

Sônia Brandão disse...

O tempo é uma formiga malvada que carrega folha por folha a árvore da vida.

bjs