terça-feira, 26 de janeiro de 2016

memórias de um lápis verde





um risco amarelo de sol
fulgurava
e o lápis verde ali
caule de uma tulipa à espera
de desabrochar.

peguei nele e afiei-o
entre dúvidas e vagares. afiei-o
até que a ponta finíssima se quebrasse
e com ela a memória das palavras
já gastas.

tão verde, o lápis!
por momentos pareceu-me
vê-lo libertar-se do florido
da blusa que uso hoje. 
     
livra-te de deixares cair versos
com aquele sorriso, aquela voz,
aqueles olhos… livra-te!

o amor é um poema breve -
diz o meu lápis verde
abruptamente amadurecido.

passa metade do tempo
a transformar o canto em luz
e a outra metade a inventar a luz
que falta ao canto.




2 comentários:

Maria Rodrigues disse...

E o lápis verde transforma folhas em branco em belíssimos poemas.
Lindíssimo poema
Beijinhos
MAria

AC disse...

Que delícia, Lídia!
(Há, no lápis verde, a essência duma criança)

Um beijinho :)