um risco amarelo de sol
fulgurava
e o lápis verde ali
caule de uma tulipa à espera
de desabrochar.
peguei nele e afiei-o
entre dúvidas e vagares. afiei-o
até que a ponta finíssima se quebrasse
e com ela a memória das palavras
já gastas.
tão verde, o lápis!
por momentos pareceu-me
vê-lo libertar-se do florido
da blusa que uso hoje.
livra-te de deixares cair versos
com aquele sorriso, aquela voz,
aqueles olhos… livra-te!
o amor é um poema breve -
diz o meu lápis verde
abruptamente amadurecido.
passa metade do tempo
a transformar o canto em luz
e a outra metade a inventar a luz
que falta ao canto.

2 comentários:
E o lápis verde transforma folhas em branco em belíssimos poemas.
Lindíssimo poema
Beijinhos
MAria
Que delícia, Lídia!
(Há, no lápis verde, a essência duma criança)
Um beijinho :)
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