domingo, 28 de janeiro de 2024

Equívoco

Salvador Dali (1943)

De repente, os sonhos, meros equívocos

Paracetamol

(abranda sem curar

as dores da vida, ao passar).

Viver equivocado, a razão primeira

e última para sonhar acordado.

 

Porém, esse estado de anestesia geral

gerado pela veleidade

do ser em modo ideal

é equívoco também.

Sonhando ou não sonhando

não é outra, mas a mesma

a vida que se tem.

 

Porque os nossos sonhos não são nossos,

outros mais ardilosos, os (des)sonham para nós.

Quem?! Olha em volta. Não vês ninguém?

 

De equívoco em equívoco,

com vontade ou sem vontade

todos vão, sem exceção, na senda da morte

que essa sim, ó má sorte,

de equivocada tem muito pouco 

ou nada.

 

Lídia Borges (2024, Janeiro)