Salvador Dali (1943)
De repente, os sonhos, meros equívocos
Paracetamol
(abranda sem curar
as dores da vida, ao passar).
Viver equivocado, a razão primeira
e última para sonhar acordado.
Porém, esse estado de anestesia geral
gerado pela veleidade
do ser em modo ideal
é equívoco também.
Sonhando ou não sonhando
não é outra, mas a mesma
a vida que se tem.
Porque os nossos sonhos não são nossos,
outros mais ardilosos, os (des)sonham
para nós.
Quem?! Olha em volta. Não vês ninguém?
De equívoco em equívoco,
com vontade ou sem vontade
todos vão, sem exceção, na senda da morte
que essa sim, ó má sorte,
de equivocada tem muito pouco
ou nada.
Lídia Borges (2024,
Janeiro)
