
Acordas de um sonho mal dormido
como quem regressa enfermo
de uma viagem de mil anos
Conheces agora todas as cidades
todos os abismos e desertos
na arquitectura do teu desconcerto
Voltas sem nada
e do que deixaste
já nada te pertence
Nenhum espelho reconhece
o outro de ti
na indefinição de um rosto
onde a luz esmorece
como estrela que se apaga
caída na areia junto do mar
Refazes ainda
o desenho dos passos
nas marcas do desalento
porque o teu coração
de pés feridos e descalços
não pára de caminhar
Lídia Borges










