Este é o lugar onde só o lume
não demora a florir
onde o verão abdica
de ser metáfora para arder
até ao fim.

Tenho uma amiga que não gosta nada de acampar. É uma citadina inveterada e diz ter medo dos bichos. O certo é que, empurrada ou não, ela vai! E, quando volta, vem tomada de um deslumbramento tal que me confunde.
Este ano escolheu o Parque de Campismo de Travanca, no Gerês onde conheceu um sapo que a esperava todos os dias, num certo sítio que não vou aqui revelar. Falou-me dele pelo telefone, com um entusiasmo "arrepiado". Disse-lhe logo que era um Príncipe Encantado e ainda não tinha visto sequer esta fotografia que ela, depois, me deu. Um sapo “vulgaris” não "sorri" assim para a câmara.
Ah, fosse eu princesa e não lhe negaria o beijo da metamorfose. A menos que o príncipe já se tivesse deixado subjugar por este paraíso de lagoas mágicas, riachos que pulam de pedra em pedra, pequenas cascatas escorregando encosta abaixo, cavalos selvagens pastando nos vales, o verde, o voo livre das aves, as espécies botânicas cuja existência só se verifica nesta serra...
Não há sapo, príncipe, princesa ou simples visitante que não se deixe enfeitiçar por esta obra divina de arquitectura natural.
E tudo isto porque a Mónica resolveu presentear-me com uma bela série de fotografias (tiradas mesmo antes dos incêndios), das quais mostro estas. (Ela deixou).
Obrigada Mónica!




Entrei no café com um rio na algibeira 



Girassol que na retina
Da planície se dissolve.
És a cor mais repentina
Da aragem que te envolve.
Girassol que só te viras
Ao que não te fica perto
E só giras porque giras
Sobre o teu eixo secreto.
.
Girassol que sem volume
Volume que sem contorno
No despegar-se resume
Só a pressa do retorno.
[...]


