O assobio dos pássaros
é o fio de prata
a religar as sílabas
a religar as sílabas
que se haviam desatado do Real,
umas pedrinhas ínfimas
para louvar o Verbo:
pela cerca
elevam-se as rosas da cor do Sol,
a perfumarem o dia.
O Real… nunca soube
embalá-lo
até aos ventos que batem
como panos molhados
nos estendais de outrora.
Assim, são os meus versos
matéria propícia, portanto,
ao pó futuro das estantes.
É o que faz
ter o passado pejado
de fábulas, de rãs e
insetos,
e poetas com a fala
acostada à Natureza-Mãe,
a pedir colo.
Que me perdoem os
leitores,
os exegetas,
não ser eu a rã
que invejou o touro.
E, por fim, estourou.
Lídia Borges
