sábado, 20 de junho de 2020

Fio de prata





O assobio dos pássaros
é o fio de prata
a religar as sílabas
que se haviam desatado do Real,
umas pedrinhas ínfimas
para louvar o Verbo:

pela cerca
elevam-se as rosas da cor do Sol,
a perfumarem o dia.

O Real… nunca soube embalá-lo
até aos ventos que batem
como panos molhados
nos estendais de outrora.

Assim, são os meus versos
matéria propícia, portanto,
ao pó futuro das estantes.

É o que faz
ter o passado pejado
de fábulas, de rãs e insetos,
e poetas com a fala
acostada à Natureza-Mãe,
a pedir colo.

Que me perdoem os leitores,
os exegetas,
não ser eu a rã
que invejou o touro.


E, por fim, estourou.


Lídia Borges