terça-feira, 13 de novembro de 2012

Mais uns passos...


                                                                                    Katia Chausheva

Mais uns passos, poucos, e terei chegado
ao limiar da palavra. Habitá-la como,
se o tempo é sem sentido, ele próprio
de poucas falas, de muitas facas?
Como permitir, contudo, que tudo se dilua
na insubstancialidade do berço e da morte?
Alguma coisa deve permanecer
neste jardim de vozes no meu coração.
Se assim não for, que farei dos verbos que me deste?
Dos adjectivos, da urze que se azula dentro dos meus livros
Da melancolia dos salgueiros, das lembranças...
Da esperança? 

Das flores? 
Do amor?

21 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...


Num coração grande
Cabe tudo, inteiro

Maria Luisa Adães disse...

Que é feito da esperança, do amor, da solidariedade e da bonança?
Que é feito dos valores passados?
Que é feito da porta aberta
feita de alegria?
Que é feito do amor ao próximo?


Lindos seus versos!

Maria Luísa

Jorge disse...

Falta-nos dar esses passos que tirem a dúvida permanente de virmos a ser... nada.

Bj
J

Anónimo disse...

Olá,
Acabei de (re)iniciar um blog e navegando por estas bandas deparo-me com teu lindo blog, permeados das mais belas palavras. Sigo. Se puder e quiser visite-me!
Endereço: http://palavreandoemocoes.blogspot.com
Gislãne Gonçalves

Armando Sena disse...

Efémeros são os limiares e ténues os horizontes.
Bjos

ana disse...

Talvez da esperança e da flor venham as respostas. Gostei muito da tela e do poema que a acompanha.
Boa noite!

Graça Sampaio disse...

«...terei chegado ao limiar da palavra...» Como poderá isso acontecer quando a domina, a usa e a modela tão bem?

Beijo.

Lilá(s) disse...

Esta sensibilidade com que escreve é única! obrigada pela delicadeza com que nos presenteia.
Bjs

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

um dia com os verbos

farás um novo poema

muito belo!

beij

Sandra Subtil disse...

Tudo cabe numa alma como a tua.
Beijinhos

Rosa Carioca disse...

Singelo!

Graça Pereira disse...

Tantas palavras ainda para serem plantadas no canteiro do teu coração!
Beijo
Graça

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Nas mãos com que escreves cabem uma imensidão de sentimentos, nunca se esgotam.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Unknown disse...

Gostaria que as palavras de amor, as mais belas e simples, não morressem.
Desejaria que fossem eternas e que fossem ainda fonte de entendimento entre os povos e nações.

Obrigado pelo comentário à simplicidade de - fala-me

Manuel Veiga disse...

haverá talvez que romper as fronteiras da palavra. lapidar-lhe as arestas da dúvida - para que o dia se erga de novo: "claro e límpido"...

gostei muito.

beijos

Mar Arável disse...

Nunca te canses das palavras vivas

Belo

Branca disse...

Genial, como sempre no uso das palavras e mesmo quando pensas que não conheces-lhes todos os segredos.

E mais uma vez me delicio a ler-te.

Beijos

lis disse...

Sim Lídia
... 'alguma coisa deve permanecer' já que a nova geração encontrará os deuses mortos e nossa fé abalada.
A vantagem é que ainda temo esses corações que usam as palavras em canto otimista _ certamente virão as flores e daí_o amor!
abraços e boa semana

Eu disse...

Habitar as palavras é uma das magias dos poetas :-)
belo!

AC disse...

A interrogação, companheira constante. E sempre à espera de uma carícia.

Beijo :)

Mateus Medina disse...

O Espírito permanece, assim como o amor. O verdadeiro amor, tão abudantemente raro...

beijos